• Camila Saraiva

Brasileiros vivendo no exterior e os lutos do imigrante

Um tema que com certeza merece mais atenção são os lutos vividos no processo imigratório. Apesar de conhecermos a realidade do nosso país e que, muitas vezes, imigrar é uma possibilidade de proporcionar para si mesmo e para a família melhores condições e recursos, ainda assim são vividos diversos processos de luto por aquele que deixa seu país e que são pouco falados. Um agravante de qualquer processo de luto é o fato de não ser reconhecido, sendo então vivido em silêncio, trazendo grande sofrimento. Estes são temas que podem ser tratados em terapia e a razão de muitos brasileiros que vivem no exterior procurarem psicólogos brasileiros para atendimento online.


Qualquer mudança significa deixar para trás uma rotina conhecida e pessoas importantes, mas em um processo imigratório isso fica ainda mais drástico com as diferenças culturais com que a pessoa se depara. Um dos lutos vividos por brasileiros que vivem no exterior é, justamente, a cultura. Este choque pode ser agravado dependendo do país para o qual a pessoa se muda e o tipo de cultura vivido lá. É diferente se mudar para outro país de origem latino-americana ou mesmo latina na Europa e um país nórdico. Essas diferenças culturais impactam não só os rituais mas também na convivência com locais, que podem ter costumes e interações muito diferentes das encontradas no país de origem. Recentemente foi bastante falado na internet sobre um costume de famílias suecas de não oferecerem comida para visitas. Certamente, um brasileiro acostumado a uma cultura agregadora e calorosa pode estranhar costumes tão enraizados na história de um país tão diferente.


Outro luto vivido é o da língua. Mesmo para aqueles que chegam no novo país com fluência na língua local, levará um tempo a se acostumar a não mais usar a língua materna em seu cotidiano de trabalho, em afazeres na rua etc. Quando a pessoa ainda não domina a língua local, pode se sentir acuada e envergonhada de tentar falar.


O luto da terra é também bastante importante. Nos acostumamos com o funcionamento do nosso bairro, cidade e país desde os mais simples detalhes, como os recursos que temos próximos a nós e sabemos como recorrer a eles, até coisas mais complexas como o funcionamento do sistema de saúde, educação, órgãos públicos e privados e leis. Leva um tempo até conhecer como o novo país funciona, porém um certo estranhamento pode permanecer, afinal crescer inserido em um conjunto de regras e funcionamentos condiciona nossa compreensão da vida em sociedade e de como interagimos com ela.


O luto do pertencimento é outro que pode afetar profundamente o imigrante. Seja em locais frequentados ou identificação com um grupo específico, em nosso local de origem muitas vezes sentimentos a sensação de pertencimento e de compartilhamento de vivências similares com outras pessoas. Ao imigrar, é importante encontrar novos locais e grupos de pertencimento, seja um grupo de brasileiros que também imigraram, um templo religioso, uma atividade de lazer ou estudo. Isso pode ajudar a construir uma nova noção de lar no país estrangeiro.